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HEPATITE B: DOENÇA QUE ATINGE 2 MILHÕES DE BRASILEIROS TEM NOVO PROTOCOLO CLÍNICO

Dados do Inquérito Nacional de Soroprevalência das Hepatites Virais mostram que 11,5% da população das capitais brasileiras com idade de 20 a 69 anos já teve contato com o vírus responsável pela Hepatite B (HVB). Na população de 10 a 19 anos, a incidência foi de 1,14%.  \"O HVB é mais contagioso que o vírus da Aids, pois se multiplica cerca de 100 vezes mais do que o HIV\", ressalta um dos membros do Comitê de Hepatites Virais da Sociedade Brasileria de Infectologia, Roberto Foccacia.
Levantamento realizado pelo Ministério da Saúde (MS) serve de alerta para a seriedade do tema: cerca de 107.192 pessoas foram portadoras da hepatite B entre 1999 e 2008. Trata-se de um mal silencioso, pois as pessoas infectadas geralmente não apresentam sintomas. Se não for tratada, a doença pode degenerar o fígado, mas “se torna crônica apenas em cerca de 5% dos casos”, explica Foccacia.
Para reduzir o número de casos de HVB no país que apresentam resistência ao tratamento, um novo protocolo clínico incluiu mais três medicamentos para a Hepatite Viral Crônica B, sendo que um deles – o Tenofovir - também é usado por soropositivos.
“A disponibilização do Ministério da Saúde dessas novas drogas, que começará após o primeiro trimestre de 2010, visa oferecer alternativas de tratamento para casos de resistência à determinados tipos de medicamentos, assim como permitir que a terapia seja iniciada com remédios mais potentes e com menor risco de desenvolver resistência”, comenta o especialista da SBI que também preside o Núcleo de Pesquisas do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
Fique atento
As principais formas de transmissão do HVB ocorrem por via parental (compartilhamento de objetos cortantes, como seringas e agulhas), em relações sexuais desprotegidas, através do contato da pele e mucosa de uma pessoa sadia com outra infectada pelo vírus (forma conhecida no jargão médico como solução de continuidade) ou por transmissão vertical (da gestante para o bebê).
Os sintomas mais comuns da infecção são mal-estar, dor de cabeça, febre baixa, falta de apetite, cansaço, náuseas e desconforto abdominal na região do fígado. A icterícia, que se caracteriza pela coloração amarelada da pele e das mucosas (boca e parte branca dos olhos), geralmente inicia-se após o desaparecimento da febre e pode ser precedida por urina escura e descoloração das fezes.
O vírus HVB pode gerar câncer de fígado na “proporção de 10% dos casos”, afirma Foccacia. Porém, em sua fase crônica a hepatite B pode desencadear doenças da pele e dos rins, diabetes e alterar o metabolismo. Na evolução da infecção, que ocorre sem o tratamento, as complicações tendem a evoluir para cirrose (endurecimento do fígado), com insuficiência das funções hepáticas, gerando sangramentos, inflamação aguda da membrana que envolve os órgãos do abdômen, confusões mentais, etc”, exemplifica o especialista.
Prevenção
“Quando a gestante é portadora do vírus o bebês deve ser vacinada e receber medicação adequada contra a hepatite B logo após o nascimento (nas primeiras seis horas de vida). Com isso se reduz em 90% o risco de transmissão. Entretanto, em cerca de 5% das vezes a transmissão já ocorreu intra-útero e nesses casos a imunização da criança é ineficaz”, alerta o infectologista da SBI.
A vacina contra hepatite B é oferecida na rede pública, desde 1998, para pessoas com até 19 anos e grupos específicos, como profissionais de saúde. Após a aplicação de três doses mais de 90% dos adultos jovens e 95% das crianças e adolescentes ficam imunes à infecção.
A cobertura atual da imunização no Brasil atinge cerca de 80% da população com até 19 anos, ou seja, mais de 50 milhões de pessoas. Já na faixa etária de 11 a 19, a taxa cai para 63%. O Ministério da Saúde estuda ampliar o acesso à vacina contra o vírus HVB.
Novo protocolo
Pesquisas internacionais mostraram que o antirretroviral Tenofovir, usado na terapia contra Aids no Brasil desde julho de 2003, apresenta boa resposta para supressão do vírus da hepatite B. Este medicamento foi incluído, junto com dois outros no novo ‘Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Hepatite Viral Crônica B e Coinfecções’, divulgado no final de outubro pelo Ministério da Saúde.
A atualização do referido protocolo mostra a preocupação dos órgãos de saúde com o crescente número de infectados por HVB, pois 77% da população brasileira é sexualmente ativa e, sem a devida proteção, há risco de contrair a doença. Além de ampliar as opções de tratamento, o novo documento recomenda uma combinação de drogas, até então não utilizadas no país, para tratar pacientes em caso de resistência viral.
O último protocolo de hepatites estava em vigor desde 2002. A previsão do Ministério da Saúde é que no próximo ano 2,5 mil pessoas recebam indicação para uso do Tenofovir. 
 
 

fonte:Sociedade Brasileira de Infectologia

www.infectologia.org.br

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