Quando o laudo médico aponta a causa da morte como sendo por cirrose hepática, a primeira impressão que vem à cabeça é de que a pessoa portadora da doença era um alcoólatra inveterado. Ledo engano.
A incidência de cirrose provocada por alcoolismo perde para os casos da doença provocados por hepatites. As maiores vítimas da doença são homens acima de 45 anos, mas também as mulheres podem ser acometidas.
Além das hepatites B e C, e do alcoolismo, algumas doenças congênitas, mais raras, podem desencadeá-la. Existem origens mais raras, como hepatite auto-imune, cirrose biliar, esteato-hepatite, hemocromatose. No Brasil, não existem estimativas que apontem corretamente os números de morte em virtude da doença.
Sintomas controlados
As hepatites por uso excessivo e contínuo do álcool causam inflamação persistente do fígado e progressivamente ocorre a formação de fibrose. Quando esta fibrose é intensa pode haver formação de nódulos hepáticos que caracterizam a cirrose. Se a agressão ao fígado persiste, as células hepáticas são substituídas por tecido fibroso e surge então a insuficiência hepática.
A princípio, a doença pode ser assintomática. No entanto, ao se manifestar, as pessoas podem sentir uma série de desconfortos, como olhos amarelados (icterícia), líquido no abdome (ascite), inchaço nos pés (edema) e confusão mental. Alguns desses sintomas podem ser controlados, evitando-se, com isso, que ela progrida. Num segundo momento, quando começam a surgir sinais claros da doença, mostrando que ela se encontra numa fase bem avançada. Nesta fase ela se torna irreversível e os tratamentos têm o único objetivo de atrasar a sua evolução,nos casos mais críticos, a única solução é o transplante hepático.
As cirroses hepáticas, ocasionadas pelo uso indiscriminado de bebidas alcoólicas, vêm atingindo homens e mulheres, quase na mesma proporção. A única prevenção possível é evitar um consumo excessivo de álcool. Quando ocasionadas por hepatite C, como ainda não há vacina, a única forma de prevenção é evitar comportamentos de risco que possibilitem o contágio através de sangue contaminado. Muitas vezes o indivíduo nem sabe como foi infectado pela doença. Antigamente, a doença incidia mais nas pessoas que se submetiam a transfusões de sangue, devido a falta de higiene e de materiais descartáveis, hoje é mais comum acontecer entre dependentes de drogas injetáveis, manipulação de materiais perfuro-cortantes.
Prevenção e responsabilidade
Por ser o órgão que centraliza todo o metabolismo do organismo, qualquer doença que acometa o fígado reflete em diversos outros órgãos do corpo. Assim, as cirroses ou outras doenças hepáticas, podem provocar desde câncer, a outros distúrbios hormonais, entre eles, o crescimento da mama e a impotência nos homens e dificuldades de menstruação nas mulheres.
Para evitar a cirrose, deve-se:
1-controlar o consumo de álcool, se o fator causal for este.
2-O uso de preservativos em relações sexuais, por exemplo, pode impedir a contaminação pela hepatite e diminuir a possibilidade do desenvolvimento da cirrose hepática.
3- Vacinar contra a hepatite B.
4- Usar medicamentos conforme orientação médica.
Primeiros sinais
* Perda do apetite
* Náuseas
* Vômitos
* Indigestão
* Perda de peso
* Constipação
* Dor abdominal
* Fadiga
Principais sintomas
* Fígado aumentado
* Olhos e pele amarelados e urina escura
* Sangramento do trato gastrintestinal
* Coceira
* Perda de cabelo
* Inchaço nas pernas
* Aumento do volume da barriga
* Tendência para formar hematomas com facilidade
* Confusão mental
Se você possui algum destes sintomas procure auxilio médico
ELOÍZA QUINTELA é gastroenterologista e Hepatologista especialista no Tratamento de Doenças do Fígado no Hospital Albert Einstein (SP), Cirurgiã de Transplantes de Fígado Membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia e Assoc. Brasileira de Transplantes de Órgãos-ABTO. www.doencasdofigado.com.br (11) 3747-3018 - (11) 5052-1087
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