Em 1993 o Brasil apresentou o maior índice de mortalidade por AIDS, onde a experiência profissional com a doença ainda estava no início e o seu controle era precário. O mundo todo se mobilizava para combater a ação do vírus tentando assim aumentar a sobrevida dos indivíduos infectados.
No final da década de 90, médicos europeus começaram a estudar como lidar com casais onde um deles não era infectado e tinha o desejo de ter filhos do seu companheiro, especificamente quando a mulher era negativa. Assim iria gerar descendentes de um relacionamento e completar a família, mesmo que um dia o seu companheiro não estivesse mais presente.
O Brasil no início deste milênio começa a se destacar no mundo como um exemplo de combate e controle da doença e investe em medicações e tecnologia. O aumento da sobrevida dos infectados reforçou ainda mais o desejo da procriação, mesmo nas situações consideradas na época como perigosa quando a mulher era portadora do HIV.
Sempre foi considerado como risco a relação sexual desprotegida em portadores do HIV, mesmo quando o casal era soropositivo, devido ao risco da coinfecção com sorotipos diferentes. Assim qualquer casal deveria ter um tratamento de Reprodução Assistida para livrar o espermatozóide do vírus.
Os laboratórios de Reprodução Assistida recebiam os pacientes e ainda de forma discriminatória optavam por fazer o tratamento nas épocas de fechamento do laboratório convencional para a realização destes casos. Utilizando técnicas que apesar de adequadas para extração do vírus do sêmen, não protegiam outras amostras celulares e nem os profissionais quemanipulavam.
Em 2006 o Professor Caio Parente, já bem sucedido em montar um Centro de Reprodução Assistida na Faculdade de Medicina do ABC, com resultados excelentes e com a experiência de realizar 60 ciclos de tratamento por mês, decidiu montar o primeiro Laboratório da America Latina especializado em Doenças Virais. Inicialmente um projeto e hoje uma realidade o CRASE (Centro de Reprodução Assistida em Situações Especiais) atua não somente no tratamento de HIV positivos como também nos casos de hepatites e do HTLV.
Atualmente com dois anos de experiência e seguramente o maior volume de pacientes tratados em clinicas de Reprodução Assistida para portadores de Doenças Virais Crônicas atendemos 50% de pacientes HIV positivos destes 10% com coinfecção por Hepatite C (HCV), 17,5% de portadores da Hepatite C, 12,5% de portadores de Hepatite B, 2,5% de portadores do HTLV e 17,5% de outras infecções.
Nosso último levantamento indica o nascimento de treze crianças com seguimento normal até o momento um gemelar, dois trigemelares e cinco únicos sendo destes sete (dois trigemelares e um proveniente de gestação única) prematuros acima de 31 semanas de gestação.
Atuamos com um grupo multidisciplinar onde atendem médicos ginecologistas, urologistas, psicólogas, enfermeiras treinadas e embriologistas e contamos com uma estrutura laboratorial especificamente montada com nível de biossegurança três, sala limpa e material de cultivo celular apropriado para controle e prevenção das infecções.
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