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A DEPRESSÃO E SUA RELAÇÃO COM A HEPATITE C
O impacto do diagnóstico da hepatite C, causa um estresse muito grande. Por se tratar de uma doença crônica, contagiosa e que exige um tratamento longo e difícil; dependendo da maneira como é comunicada pelo médico aliada à falta de informação e ao preconceito, pode desencadear um episódio depressivo.
 
Especialmente no caso da hepatite C, não só o impacto inicial pós diagnóstico pode predispor à depressão, ela pode surgir durante o tratamento realizado à base do interferon e da ribavirina como efeito colateral que chega a afetar entre 20 a 40% dos pacientes tratados, dificultando a resposta ao tratamento. Estudos indicam que a depressão que aparece como efeito da medicação é reversível após o término do tratamento.
 
Muitas pessoas somente aprendem a apreciar a saúde quando têm de defrontar-se com o fato, imprevisto de que contraíram uma doença e que devem enfrentar um longo tratamento. Este estado novo em sua vida pode lhe trazer ansiedade e depressão, e fica difícil encontrar uma resposta para a pergunta por que eu?
 
Alguns resolvem isso com mais facilidade que outros. A Dra. Elisabethe KublerRoss identificou cinco fases de ajuste para se aceitar o fato de contrair um doença crônica:
 
1)      Choque e Negação: A reação inicial ao saber o prognóstico é de choque, então o paciente pode se recusar a acreditar no diagnóstico ou negar que algo está errado. Pode manisfestar frases como: “Isto não está acontecendo comigo; “Deve haver um engano”.
2)      Raiva: O paciente reage com muita raiva, zanga ou irritação ao compreender seu estado real e as conseqüências da doença. Frases: “Por que eu?”; Por que não ele?”; “ O que fiz para merecer isso”?
3)      Barganha: Aqui o paciente já admite a existência da doença e pode tentar negociar em busca da cura. São comuns as tentativas de acordos, barganhas ou promessas a Deus. Frases: “ Se Deus me curar, dedicarei minha vida toda a Ele”; “ Se Deus me curar vou ajudar os pobres”; “ Deus, ajude-me a viver mais alguns anos, até os meus filhos estarem mais independentes e não precisarem tanto de mim.”
4)      Depressão: O paciente pode mostrar sinais depressivos importantes: desânimo generalizado, inquietação, alterações do sono, perda de apetite, desesperança, etc. Frases: “ Eu não consigo enfrentar isto.”; “ Não posso fazer minha família passar por isto.”; “ O que será de mim?” “ Eu falhei.”
Aceitação: O paciente compreende que a doença é inevitável e aceita a realidade. Frases: “ Não vou mais fugir”; “ Estou pronto, haja o que houver.”

Identificação e sintomas da depressão
 
 
A diferença entre uma depressão normal e a depressão psiquiátrica é que o paciente deprimido mesmo tendo dias melhores fica sempre dentro de uma determinada faixa. Isto quer dizer que, não é um estado de tristeza passageira, existe uma constância.
 
Os sintomas da depressão são muito variados, contudo para se fazer o diagnóstico é necessário um grupo de sintomas centrais:
 
1)      Perda de energia ou interesse;
2)      Humor deprimido;
3)      Dificuldade de concentração;
4)      Alterações do apetite e do sono
5)      Lentificações das atividades físicas e mentais;
6)      Sentimento de pesar ou fracasso.
 
Os sintomas corporais mais comuns são:
- Sensação de desconforto no batimento cardíaco;
- Constipação;
- Dores de cabeça;
- Dificulades digestivas.
 
Períodos de melhora são comuns, o que cria a falsa impressão de que se está melhorando sozinho quando durante alguns dias o paciente sente-se bem.
 
Outros sintomas que podem vir associados aos sintomas centrais:
 
- Pessimismo
- Dificuldade de tomar decisões
- Dificuldade para começar a fazer suas tarefas
- Irritabilidade ou impaciência
- Inquietação
- Achar que não vale a pena viver (desejo de morrer)
- Chorar à-toa
- Dificuldade para chorar
- Sensação de que nunca vai melhorar, desesperança
- Dificuldade de terminar as coisas que começou
- Sentimento de pena de si mesmo
- Persistência de pensamentos negativos
- Queixas freqüentes
- Sentimentos de culpa injustificáveis
- Boca ressecada, constipação, perda de peso e apetite, insônia, perda de interesse sexual.
 
Para afirmarmos que o paciente está deprimido temos que afirmar que a maior parte do dia quase todos os dias, não tem tanto prazer ou interesse em praticar as atividades que antes apreciava, não consegue ficar parado e pelo contrário reduz o seu ritmo habitual. Passa a ter sentimentos inapropriados desprezando-se como pessoa e até mesmo se culpando pela doença ou colocando a culpa nos outros, sentindo-se um peso morto na família. Com isso apesar de não ser uma doença potencialmente fatal, surgem pensamentos de suicídio. Esse quadro deve durar pelo menos duas semanas para que possamos dizer o que o paciente está sofrendo de depressão.
 
 
Se há alternância entre fases deprimidas com maníacas de exaltação ou irritação de humor trata-se de transtorno bipolar.
 
A depressão é uma doença como outra qualquer e exige tratamento. Daí a importância do acompanhamento psiquiátrico e psicológico com sessões de psicoterapia.
 
É importante perceber e experimentar o sofrimento que o tratamento pode ocasionar para poder resolve-lo. Não tente esconder a lesão física e emocional, mantenha as linhas de comunicação abertas. Não tenha medo, busque apoio, procure conhecer bem a doença, alimente sua auto-estima, atitudes positivas elevam o nível de anticorpos. Saiba que com o tratamento correto muitas pessoas conseguem negativar o vírus e outras mesmo não obtendo a cura por completo vivem bem o resto das suas vidas sem desenvolver doenças ou danos hepáticos.
 
Portanto, não hesite em buscar ajuda para sua situação especial. Alguns problemas são grandes demais para você resolver por conta própria. Carregue a sua responsabilidade e perceba que você desempenha um papel importante em sua doença.
 
 
Elisete Costa de Melo
Psicóloga
CRP 06/62351
Rua André Thomaz, 93
Vila Campesina – Osasco
Tel.: 3685-4638
 

 
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