São Paulo - De Norte à Sul do Brasil, samba, exaltação, muita folia e alegria embalam a maior festa popular do país. É carnaval. Mas os especialistas alertam: “a folia esconde perigos invisíveis e o melhor é se prevenir”. Nesse período, o risco de contaminação com as Doenças Sexualmente Transmissíveis, DSTs, é bem maior.
Herpes, Sífilis, Hepatite B e Aids são as principais enfermidades transmissíveis. Durante a festa, a falta de cuidados e prevenção adequada podem se transformar nas hepatites A, B ou C, as três variações mais comuns da doença no fígado. “Geralmente, temos uma incidência muito grande de casos a partir de 15 dias após o Carnaval”, relata Dra. Eloíza Quintela, médica gastrohepatologista do H. I. Albert Einstein.
A Hepatite B (VBH), por exemplo, é a que mais preocupa os especialistas, já que contagia até 100 vezes mais do que a Aids. Transmitida através de contato com o sangue ou secreções de uma pessoa infectada, a doença pode causar inflamação no fígado. Para se proteger, os médicos afirmam que não basta apenas usar preservativos, mas, principalmente tomar a vacina. A aplicação é feita em três doses, sendo que a segunda é 30 dias após a primeira e a última ao final de seis meses. Em 95% das pessoas, a vacina representa a imunização pelo resto da vida. Outras maneiras de se contrair hepatite são: da mãe para o bebê na hora do parto, transmissão entre as crianças, injeções e transfusões, contato sexual e troca de secreções, como um beijo na boca. Porém, em mais de 70% dos casos a contaminação é através de relações sexuais. É importante frisar que o vírus da hepatite B não se propaga através de alimentos ou água.
Na maior parte das vezes, a doença é diagnosticada em sua fase crônica, podendo causar sérios danos ao organismo como cirrose ou câncer. O tratamento tardio e inadequado da hepatite crônica B pode levar muitos pacientes para as filas de transplante de fígado. Os médicos alertam que existem hoje sete tipos virais de hepatite: A, B, C, Delta, F e G. Todas podem causar doenças com sintomas graves que persistem por várias semanas. “O amarelamento dos olhos e da pele, urina escura, fadiga intensa, náuseas, vômitos e dor abdominal são os principais sintomas”, afirma Dra. Eloíza Quintela. A médica lembra ainda que podem levar vários meses ou até um ano para que a saúde do paciente se restabeleça plenamente.
As recomendações vão além: cuidados na hora de se alimentar (comida contaminada é um dos vetores da hepatite A); uso de camisinha durante relações sexuais (o que pode ser um escudo contra a hepatite B) e até a prevenção para usuários de drogas injetáveis (já que a hepatite C é transmitida pelo uso compartilhado de instrumentos pérfuro-cortantes). O consumo de alimentos ou água de origens duvidosas ou sem controle de higiene podem provocar a hepatite A, a forma mais comum da doença. Além disso, partilhar objetos como latinhas de cerveja é uma maneira de fácil contaminação. O tratamento e o controle da doença não apresentam complicações, mas em pelo menos 1% dos casos em adultos acima de 40 anos, uma forma gravíssima se manifesta como hepatite fulminante, que pode levar ao óbito. Como diz o ditado: “é melhor prevenir do que se remediar.
Dra. Eloíza Quintela
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