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NOVO MEDICAMENTO CONTRA HEPATITE B SERá DISTRIBUíDO PELO SUS

Os portadores de hepatite B no Brasil terão um novo e potente aliado contra a doença: o medicamento Tenofovir, já utilizado nos Estados Unidos e na Europa. Seu uso no Brasil, porém, segundo o Ministério da Saúde, esbarrava na resistência do fabricante estrangeiro, que relutava em pedir autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para que o produtos fosse usado no Brasil para combater a hepatite B. Ele será distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Até então, o medicamento só era permitido no Brasil para uso e pacientes portadores de Aids. Ou para pacientes que tivessem as duas doenças. O pedido para que o medicamento pudesse ser destinado também a doentes hepáticos foi feito à Anvisa pelo próprio Ministério da Saúde.

 

– A hipótese mais provável é a de que havia um acordo entre empresas, dividindo o mercado brasileiro – disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sobre a resistência da fabricante.

 

Segundo Temporão, a Gilead, multinacional americana que fabrica o remédio, não entraria no mercado de tratamento da hepatite no Brasil, deixando espaço para outros fabricantes. Com a iniciativa do ministério, o suposto acerto foi minado. A previsão é de que pelo menos 2,5 mil pessoas com hepatite B recebam esse medicamento, já no início do ano que vem.

 

– Nesse caso, o Brasil coloca, mais uma vez, o interesse da saúde acima dos interesses da indústria farmacêutica. Não tem sentido não garantirmos o acesso a uma melhor terapia aos pacientes brasileiros por uma questão mercado – disse o ministro José Gomes Temporão.

 

Mais opções

Além do Tenofovir, os portadores da hepatite B contarão com novas opções para tratamento – dois medicamentos antivirais (Entecavir e Adefovir) – que associados a outros dois já adotados pelo SUS (Lamivudina e Interferon), ampliam as alternativas de tratamento.

As drogas fazem parte do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Hepatite Viral Crônica B e Coinfecções, lançado terça-feira pelo Ministério da Saúde.

 

Dados do Inquérito Nacional de Seroprevalência das Hepatites Virais mostram que 11,5% da população das capitais brasileiras com idade de 20 a 69 anos já teve contato com o vírus responsável pelo tipo B da doença. Na população de 10 a 19 anos, a incidência foi de 1,14%.

A evolução para a forma crônica ocorre em aproximadamente 5% a 10% dos adultos expostos ao vírus. Associada ao consumo de álcool e ao fumo, à idade e ao histórico familiar, aumenta o risco de cirrose e câncer no fígado. O tratamento, ao reduzir a replicação da carga viral e o dano hepático, diminui as chances de evolução para essas doenças graves.

O último protocolo para tratamento de hepatites estava em vigor desde 2002. A publicação do atual, associada à centralização da compra dos medicamentos pelo Ministério da Saúde, estabelece uma nova política nacional para o tratamento da doença. Ele deve pautar a atuação de hepatologistas e infectologistas de todo o país.

Em recente negociação, finalizada em outubro, o Ministério da Saúde reduziu em 31,1% o valor pago pelo comprimido de Tenofovir. Passou de US$ 2,54 para US$ 1,75, o que gerou uma redução de gasto de R$ 42,4 milhões para o orçamento de 2010. Com essa gestão, a pasta pode destinar parte dos recursos – cerca de R$ 20 milhões – para atender os portadores de hepatite B crônica no próximo ano sem grande impacto no orçamento, aumentando a eficiência do gasto.

Segundo o ministério, estudos internacionais mostraram que o antirretroviral Tenofovir, usado na terapia contra Aids no país desde julho de 2003, apresenta boa resposta para supressão do vírus da hepatite B.

– O Tenofovir tem alta potência para suprimir o vírus da hepatite B. Além disso, tem uma boa barreira genética. Quer dizer, até hoje não há registro de resistência contra ela. Outra vantagem é que basta tomar um comprimido por dia – diz Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

 

Ainda de acordo com o ministério, as vantagens do Tenofovir não se restringem à melhor alternativa de tratamento. Como a patente do medicamento não foi concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em 2008, em seguimento à manifestação de interesse público e subsídios técnicos do Ministério da Saúde, o Brasil está se organizando por meio de uma parceria público-privada para a produção nacional, prevista para o próximo ano.

>> Como evitar a doença

Vacina

– A vacina contra hepatite B é uma das principais medidas de prevenção contra a doença. Após três doses, mais de 90% dos adultos jovens e 95% das crianças e adolescentes ficam imunizados. Ela é oferecida na rede pública à pessoas com até 19 anos desde 1998. Também está indicada para grupos específicos, como profissionais de saúde, independentemente da faixa etária. A vacina é encontrada em clínicas privadas.

 

Formas de transmissão

A hepatite viral B é transmitida por sangue, esperma e secreção vaginal. Assim, a transmissão pode ocorrer pela relação sexual desprotegida, pelo compartilhamento de objetos contaminados como lâminas de barbear e de depilar, escovas de dente, alicates de unha, materiais para colocação de piercing e para confecção de tatuagens e instrumentos para uso de drogas injetáveis. Há risco ainda em procedimentos cirúrgicos, odontológicos e de hemodiálise, em que não se aplicam as normas adequadas de biossegurança. A transmissão via transfusão de sangue e hemoderivados é rara em face da triagem sorológica nos bancos de sangue.

Campanha

Assim como para a prevenção da Aids, o MS vai intensificar seus materiais informativos de prevenção para Hepatite B durante o carnaval. Salões de beleza e estúdios de tatuagem também serão espaços estratégicos para a divulgação de informações sobre a prevenção da doença.

Aguda ou crônica

A infecção pelo vírus da hepatite B pode tornar-se crônica. Cerca de 30% dos adultos expostos ao vírus apresentam os sintomas da forma aguda – icterícia (cor amarela da pele e do branco dos olhos), febre, mal estar, náuseas, vômitos, dor nos músculos, urina escura e fezes claras. Essa porcentagem é menor entre as crianças. A confirmação do diagnóstico se dá por meio de testes sorológicos.

 

Jornal do Brasil

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