Aproximadamente metade dos infectados com o genótipo 1 da hepatite C não conseguem na semana 12 do tratamento ter negativado o vírus ou pelo menos ter conseguido baixar a carga viral em mais de 2 LOG com o tratamento de interferon peguilado combinado a ribavirina, esses pacientes são os chamados "não respondedores". Um retratamento mudando o interferon peguilado apresentará poucas possibilidades de sucesso.
Os pacientes não respondedores podem melhorar o estado de seu fígado, conseguindo diminuir a velocidade de progressão da doença, mas não conseguiram eliminar o vírus de seu organismo. Os fatores que podem ter contribuído para não conseguir a cura podem ser creditados a fatores genéticos do vírus, uma alta carga viral antes do tratamento, dano hepático mais avançado, ser afro descendente ou ter idade avançada, mas em geral fica impossível se creditar o fracasso a uma só condição, sendo mais provável serem uma soma de fatores diversos os que contribuem para o fracasso do tratamento.
O ensaio clínico realizado com o "Infergen" incluiu 515 pacientes de 44 centros hospitalares diferentes. Todos os pacientes eram "não respondedores" a um tratamento anterior realizado com interferon peguilado e ribavirina. Do total, 80% deles não tinham conseguido reduzir 2 LOG na semana 12 do tratamento com interferon peguilado e ribavirina e, 20% deles não tinham conseguido sequer reduzir 1 LOG na semana 12.
Todos receberam tratamento com aplicação diária de uma ampola de Infergen, divididos em dois grupos, sendo que um dos grupos recebeu a dosagem de 9 mcg/dia e um segundo grupo recebeu a dosagem de 15 mcg/dia. A ribavirina foi administrada conforme o peso do paciente.
Os resultados do estudo devem ser analisados considerando as diversas características dos pacientes incluídos na pesquisa:
- Entre os pacientes sem cirrose, mas com fibroses entre F0 e F3 a possibilidade de cura da hepatite C foi de 7,8% no grupo tratado com 9 mcg/dia de Infergen e de 13,1% no grupo tratado com 15 mcg/dia de Infergen;
- Entre os pacientes que realizaram de forma completa o tratamento a possibilidade de cura da hepatite C foi de 7% no grupo tratado com 9 mcg/dia de Infergen e de 17% no grupo tratado com 15 mcg/dia de Infergen;
- Entre os pacientes sem cirrose que no tratamento utilizando interferon peguilado e ribavirina tinham conseguido uma redução superior aos 2 LOG na semana 12 do tratamento e que apresentavam graus de fibrose entre F0 e F3 a possibilidade de cura da hepatite C foi de 10,7% no grupo tratado com 9 mcg/dia de Infergen e de 31,6% no grupo tratado com 15 mcg/dia de Infergen;
- Os pacientes com cirrose apresentaram poucas possibilidades de cura com o Infergen.
Os resultados podem parecer "pobres", mas devemos considerar que o retratamento de pacientes que já receberam interferon peguilado e ribavirina realizando um retratamento simplesmente mudando a marca do peguilado apresenta resultados muito inferiores ao do presente estudo.
O "Infergen" já se encontra autorizado nos Estados Unidos e em alguns outros países, mas ainda não foi aprovado para seu uso em todo o mundo, o que dificulta o seu tratamento pelo custo elevado de importação. Ações judiciais podem ser difíceis de conseguir sucesso nos países onde o medicamento ainda não foi aprovado para o tratamento da hepatite C.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Three Rivers Pharmaceuticals, LLC - Hepatology - U.S.-based, randomized Daily-Dose Consensus Interferon and Ribavirin: Efficacy of Combined Therapy (DIRECT) clinical trial authored by Bruce R. Bacon, M.D., of Saint Louis University.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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